sábado, 5 de dezembro de 2009
Posição do cocho de sal não interfere na uniformidade de pastejo
Colocar
o cocho de sal longe da água, em locais pouco freqüentados pelos
animais, não reduz a desuniformidade de pastejo. Por Patrícia Menezes,
da Embrapa Pecuária Sudeste.
Colocar
o cocho de sal longe da água, em locais pouco freqüentados pelos
animais, não ajuda a reduzir a desuniformidade de pastejo. Esta é uma
das conclusões do trabalho desenvolvido por pesquisadores do Depto. de
Zootecnia da ESALQ (Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz") /
USP, na Estação Experimental "Hildegard Georgina von Pritzelwitz", em
Londrina, PR.
O objetivo do trabalho desenvolvido por Goulart
(2006) foi estudar os fatores que interferem na escolha do local de
pastejo pelos animais e propor alternativas para reduzir a
desuniformidade de pastejo em áreas extensas. O autor observou o
comportamento dos animais em duas áreas, uma com 25 ha e outra com 42
ha.
Apenas para efeito de observação, foram consideradas
subunidades de um ha em cada área (não havia cercas, as subunidades
serviram apenas de referência para as observações e foram demarcadas
com GPS). As características de cada área estão na tabela 1.
O
uso das subunidade pelos animais e, conseqüentemente, a uniformidade de
pastejo, foi estimado por meio da redução da altura do capim. As
observações foram feitas em quatro períodos de 15 dias, entre
14/01/2005 e 15/03/2005. A cada período, a posição do cocho de sal na
invernada era alterada entre locais próximos e distantes da água.
No
primeiro e terceiro períodos, o cocho de sal foi colocado na mesma
sub-unidade da água na Invernada 1 e distante da água na Invernada 2;
nos segundo e quarto períodos, a posição dos cochos foi invertida de
forma que ficassem longe da água na Invernada 1 e na mesma sub-unidade
da água na Invernada 2.
Goulart (2006) observou maior uso pelos
animais das subunidades mais próximas da água (distância horizontal) e
onde a diferença de nível em relação à subunidade da aguada também
fosse menor (menor declividade; distância vertical). Além disso, os
animais mostraram preferência por locais onde a forragem se apresentava
com maior proporção de folhas.
As alterações na altura do pasto
indicam que os animais avançaram para áreas mais distantes à medida que
a quantidade de forragem disponível próximo da água foi reduzida. A
Figura 1 mostra as variações na altura do capim-colonião na invernada 2
ao longo dos quatro períodos de observação. Nos dois primeiros
períodos, foi observada redução na altura apenas das subunidades
localizadas até 506m da aguada; somente a partir do terceiro período,
quando a massa de forragem disponível nos locais mais próximos da água
ficou menor, foi observada redução na altura do capim-colonião das
áreas mais distantes.
Goulart
(2006) observou ainda que a presença de sombras e a localização do
cocho de sal não interferiram no comportamento dos animais. O autor
concluiu que a redução das distâncias entre as aguadas é melhor forma
para se reduzir a desuniformidade de pastejo. Além disso, o autor
recomenda que a divisão das invernadas seja feita de forma que sua
topografia e vegetação sejam uniformes.
Comentário: O pastejo desuniforme, além de reduzir a eficiência de colheita da
forragem, representa uma situação de risco para a sustentabilidade da
pastagem. Nos sistemas tradicionais de manejo, onde o ajuste da taxa de
lotação é feito com base na produção de inverno, a prática mostra que
os animais inicialmente pastejam nas áreas de mais fácil acesso e/ou
próximas às fontes de água.
Como a taxa de crescimento do capim
é maior que o ritmo de consumo dos animais, antes dos animais
precisarem ir para as áreas mais distantes, a rebrota do capim nas
primeiras áreas utilizadas já é grande o suficiente para serem
pastejadas novamente. Com o tempo, o pasto passa a apresentar áreas
superpastejadas, áreas subpastejadas e áreas intermediárias.
Na
parte superpastejada, a rebrota do pasto fica cada vez mais longa,
favorecendo o estabelecimento de plantas invasoras. Em pouco tempo,
essa área se degrada e os animais passam a superpastejar em outro
local. Dessa forma, a cada ano a percentagem de área degradada aumenta,
até que seja necessária a reforma do pasto. O trabalho desenvolvido por
Goulart (2006) confirma esta observação prática e mostra a importância
do planejamento das divisões das pastagens e da alocação das aguadas
para garantir o uso mais eficiente e sustentável do pasto.
Patrícia Menezes Santos é agrônoma e pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste
Fonte: Portal Revista DBO Notícias