terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Setor se organiza para garantir origem da carne
As conversas entre frigoríficos, organizações não governamentais (ONGs)
e varejistas estão avançando desde o início do mês para criar um
sistema unificado de certificação a fim de garantir a origem da carne
comercializada no mercado interno. Cinco dos maiores frigoríficos do
País (JBS, Bertin, Marfrig, Minerva e Frigol) se juntaram para
harmonizar o processo de sustentabilidade na venda de carne no Brasil e
buscar soluções em conjunto com o Greenpeace, Ministério da
Agricultura, o Ministério Público Federal do Pará e a Associação
Brasileira de Supermercados (Abras).
Em julho, a Abras decidiu
que os supermercados associados à entidade passariam a cobrar de seus
fornecedores uma certificação de origem da carne. Segundo a assessoria
de imprensa da entidade, o programa foi desenvolvido pela consultoria
SGS e já está pronto. A apresentação oficial deve ser realizada em
breve, mas, segundo o diretor executivo da Bertin, Fernando Falco, o
processo vai envolver aspectos abordados no Termo de Ajustamento de
Conduta (TAC), assinado entre o Ministério Público do Pará com alguns
frigoríficos, a Guia de Trânsito Animal (GTA) eletrônica atrelada ao
cadastro ambiental dos pecuaristas e o monitoramento por satélite.
Segundo
Falco, a Abras está se propondo a não mais comprar carne dos
frigoríficos que não seguirem os processos estabelecidos, o que
permitirá uma maior controle no setor. "A ideia é que o processo seja,
num primeiro momento, educativo, para se tornar compulsório no futuro",
afirma Falco, ao lembrar que o sistema será utilizado em toda a região
do bioma amazônico, com objetivo de solucionar os problemas de
desmatamento enfrentados pelos frigoríficos e pelos próprios varejistas.
O
ministério da Agricultura deve anunciar na segunda semana de dezembro a
implantação da GTA eletrônica vinculada ao cadastramento ambiental dos
pecuaristas no Pará. A ideia é que haja um cadastramento voluntário dos
pecuaristas junto à Secretaria de Meio Ambiente do Estado, que passaria
a fornecer os dados ambientais para emissão da GTA, necessária para a
comercialização de gado. "Não é possível vender sem a GTA e essa guia
passará a ter dados ambientais dos pecuaristas", diz Falco.
As
ONGs, por sua vez, sob a liderança do Greenpeace, serão responsáveis
pelo monitoramento por satélite das regiões produtoras. Esse
monitoramento levantará os pontos georreferenciais dos fornecedores,
que serão cruzados com os dados fornecidos pelos pecuaristas às
secretarias de meio ambiente. Segundo Falco, os frigoríficos
disponibilizarão a estrutura para cadastro e subsidiarão parte do
processo de cadastramento dos pecuaristas. "Dessa forma conseguiremos
solucionar praticamente todos os problemas dos frigoríficos", afirma
Falco.
A matéria é de Alexandre Inacio e Célia Froufe, da Agência Estado, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.
Fonte: Beefpoint