Vale a Pena Confinar ?
Em um ano no mínimo conturbado no setor agropecuário, onde expectativas foram criadas em torno do preço da arroba do boi, nós técnicos fomos e estamos sendo incessantemente questionados quanto à viabilidade do confinamento de bovinos pa r a o ano de 2.008.
Comparando-se a produção do ano passado nota-se uma queda de animais confinados para 2008. Quando questionados sobre essa redução, os pecuaristas citaram dois principais motivos: custo elevado do boi magro e de insumos para nutrição.
O objetivo desta matéria é ilustrar com um exemplo prático a situação de um confinamento este ano no estado de São Paulo.
No exemplo que vamos demonstrar, os custos são reais, custo de insumos, dos animais e o custo operacional e o objetivo é mostrar com clareza que o confinamento passa a ser na pecuária moderna, um instrumento importante no aumento da produtividade e principalmente na lucratividade da pecuária de corte.
Os custos dos animais, a reposição e o custo de insumos, podem em um primeiro momento dar a impressão de inviabilidade do negócio neste ano, mas não preocupa o produtor que tem sua atividade calçada em planejamento e programação de custos.
O mercado futuro, embora tenha dado uma retraída em relação às expectativas iniciais, ainda sinaliza de forma positiva para quem quer confinar,os dados fornecidos pelo pregão do dia 04/08, mostra uma ligeira valorização da arroba da casa de 1,5% para o mês de novembro. O que nos dá ainda uma boa margem para ser trabalhado.

O confinamento citado usa como volumoso o bagaço de cana in natura e trabalha com bois nelore inteiros, a fazenda situase no Pontal do Paranapanema e vai confinar um número próximo a 1.000 bois este ano.
A dieta dos animais é demonstrada na tabela abaixo:
Os animais entrarão em média com 400 kg e serão abatidos com 500 kg de peso vivo, sendo que os dados do confinamento estarão descritos na tabela abaixo:
Como podemos ver na tabela acima, o custo por animal/dia gira ao redor de R$ 4,67, já incluídos os custos operacionais, portanto teremos uma arroba produzida no confinamento ao redor de R$82,00 e o preço de equilíbrio da arroba vendida por volta dos R$ 87,00, o que nos mostra que o boi é o insumo que mais está influenciando na elevação do preço de equilíbrio. O que nos dá a certeza de que este ano o grande fator limitante para quem quer limitar é o boi, portanto, para este ano vale a pena entrarmos com animais mais jovens e leves para que possamos ganhar um número maior de arrobas dentro do confinamento, pois o custo da arroba produzida nos dá uma excelente margem para trabalhar, pois nem todos os anos temos o custo da arroba produzida menor do que a da arroba vendida,quando observamos o contrário ( arroba produzida mais cara do que o preço da arroba vendida é interessante realmente trabalhar nos confinamentos com animais mais leves). Os confinamentos deste ano tem trabalhado com animais mais leves ( peso inicial) do que o do ano passado, isto faz com que o preço da reposição ou do boi no confinamento tenha um peso menor nos custos finais.
O confinamento acima citado nos deixa um lucro líquido de R$ 84,00 por cabeça e uma lucratividade de 2% ao mês, lucratividade extremamente viável do ponto de vista econômico. Lembrando ainda que o confinamento de alto concentrado, com bagaço de cana, este ano tem dado em média em torno de 2,0% de lucratividade.
Lucratividade extremamente viável se o objetivo for o da aplicação deste dinheiro. Porém devemos analisar o confinamento de uma forma mais abrangente, sendo um excepcional instrumento para o aumento da capacidade de suporte da fazenda e do aumento da lucratividade da mesma, pois ele aumenta consideravelmente a escala de abate da propriedade que se utiliza deste instrumento. Além disso o confinamento se mostra extremamente viável do ponto de vista econômico, é só se fazer a seguinte pergunta: Você investiria seu capital em uma aplicação que rendesse 2,0% ao mês? Cabe lembrar que o confinamento de alto concentrado tem custado em média R$2,00 por arroba a mais do que um confinamento de alto volumoso.
Marco Antonio Soares Gambale
Zootecnista
Consultor técnico da SUPORTEG Consultores
Associados
Departamento Técnico da Fortsal Nutrição Animal